A presença de algas nos pesqueiros

Muitos pescadores nos perguntam com relação à coloração das águas dos pesqueiros: o porquê da tonalidade esverdeada??? Ou mesmo como ocorre a floração das algas de superfície, que aparecem muito nesta época e que se parecem com uma sopa de ervilhas (chamadas de algas cianofíceas)?

As algas são organismos semelhantes às plantas, conhecidas no seu conjunto como plâncton. São organismos microscópicos possuidores de clorofila, que as tornam capazes de realizar a fotossíntese, ou seja, fabricar alimento (glicose) a partir do gás carbônico (CO2) e da água (H2O), quando em presença de luz (ver fotos 1 e 2 abaixo).


FOTOS 1 E 2 – Algas unicelulares observadas em um microscópio.

São importantes para a manutenção da vida na Terra, uma vez que fornecem oxigênio e formam a base de qualquer cadeia alimentar, porque são elas que constituem o fitoplâncton.

Portanto, a coloração esverdeada das águas de pesqueiros e pisciculturas, deve ser considerada saudável para a vida dos peixes. É o indicador de que a base da cadeia alimentar está ativa, proporcionando o equilíbrio necessário ao ecossistema aquático.

As algas ocorrem em praticamente todas as águas naturais com a presença de luz, e a intensidade do seu aparecimento depende basicamente de 3 fatores:

1. Presença de luz solar;

2. Disponibilidade de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo;

3. Temperatura adequada.

Quando vamos analisar a qualidade da água de um pesqueiro ou piscicultura, checamos também a transparência do local para avaliarmos se as algas estão em quantidade ideal, através do uso do disco de Secchi (ver foto 3 a seguir), que mede tal parâmetro em escala de centímetros.

Se um lago apresenta baixa transparência da água (abaixo de 30 cm), com uma coloração verde mais intensa, é o indicador de que houve um aumento excessivo ou descontrolado das algas planctônicas.

FOTO 3 – Exemplo do disco de Secchi em uso, para a verificação da transparência de um lago.

A presença descontrolada das algas pode ser prejudicial ao lago, pois gera piques de falta de oxigênio no período noturno (mais para perto do dia amanhecer). Neste período não ocorre a fotossíntese, e portanto não há produção de oxigênio, apenas a respiração dos peixes e algas. Por isso é que os aeradores dos pesqueiros e pisciculturas são ligados somente à noite.

Se a temperatura é muito intensa, ou mesmo se ocorrem vários dias nublados seguidos em um lago com excesso de algas (cor verde intenso), o risco de ocorrer falta de oxigênio é muito grande, e o monitoramento da água deve ser constante!

As algas podem ser também um indicador de desgaste da água de um determinado local: o excesso de nutrientes e matéria orgânica do ambiente favorece muito o seu desenvolvimento.

Quanto maior for o acúmulo de matéria orgânica e nutrientes no leito do fundo do lago, maior será a presença das algas. Por isso é que devemos controlar o uso de ceva e alimentação dos peixes.

Uma das espécies de algas mais agressivas e que aparece por decorrência do desequilíbrio do ambiente, são as algas cianofíceas, também chamadas de cianobactérias.

Elas ocorrem na superfície do lago, em camadas grossas que se acumulam na direção em que o vento as empurra. Aumentam rapidamente, e podem variar a sua coloração (ver fotos 4 e 5).

FOTO 4 – Algas cianofíceas infestando um lago de cultivo de peixes em Joanópolis.

FOTO 5 – Algas cianofíceas em um pesqueiro: indicador de desgaste nas águas.

O controle das algas cianofíceas pode ser realizado das seguintes maneiras:

DRAGAGEM – retirada de todo o resíduo orgânico do fundo do lago com uso de um conjunto motobomba capaz de remover o material para um local adequado, podendo este servir posteriormente de adubo para diversas plantações.

CONTROLE DO USO DE CEVA – Limitar o uso de ceva pelos pescadores, para que não haja o acúmulo de material excedente nos lagos de pesca.

COLETA DE RESTOS DE RAÇÃO – Coletar as sobras de ceva de superfície que o vento leva para as margens do lago, evitando que este material venha a se decompor no local e gerar resíduos orgânicos que vão alimentar as algas.

USO DE PROBIÓTICOS – Os probióticos contém microorganismos vivos, capazes de auxiliar no processo de decomposição controlada da matéria orgânica (fezes dos peixes e ceva) que está presente no lago.

CONTROLE QUÍMICO – Uso de produtos capazes de inibir o desenvolvimento das algas, sempre orientados por um técnico responsável.

AUMENTO DA RENOVAÇÃO DE ÁGUA – Quando possível melhorar a renovação de água do lago, esta certamente diluirá os nutrientes e estará melhorando a ocorrência das algas.

Vale lembrar que o monitoramento das águas deve ser constante e orientado por um profissional capacitado, pois todo o investimento do pesqueiro ou do Aqüicultor estão concentrados na água.

Ótimas pescarias!




Fábio Mori

Eng Agrônomo – CREA 068.509.744-4

Especialista em Aqüicultura


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