ANATOMIA DOS PEIXES E SUA IMPORTÂNCIA NA MANIPULAÇÃO DURANTE A PESCA


Os peixes de pesqueiros geram uma atração muito grande, não somente para nós pescadores, mas também para muitos expectadores que acompanham a movimentação do setor.

Estes troféus marcantes possuem emocionantes histórias e capturas exclusivas com cada pescador que já encontraram, o que confere um toque todo único nesta relação, como se cada um fosse um pouco dono do peixe.

Este panorama envolve tambas de grande porte, pirararas e pintados graúdos, e vem gerando projeção para pesqueiros e pescadores no mundo da pesca esportiva. Há peixes que inclusive já possuem nomes, e sua captura é sempre festejada.

Por isso, há uma necessidade cada vez maior de utilizarmos os nossos conhecimentos em anatomia e biologia das espécies da pesca esportiva, com a finalidade de evitarmos a mortalidade pós captura, e ainda podermos manter nossos peixes com alta taxa de longevidade, o que se torna um desafio maior ainda.

Vamos portanto comentar os principais pontos quanto à anatomia dos peixes e relacioná-los com a prática da pesca esportiva, para podermos realizar um manuseio mais consciente.

O corpo do peixe é muito compacto, sendo formado pela cabeça, tronco e nadadeiras, com estes órgãos dispostos de forma contínua, o que permite ao peixe deslizar-se facilmente na água.

A pele tem a função de suavizar os efeitos do ambiente sobre o peixe, sendo coberta por glândulas que produzem mucina (muco, aquela substância pegajosa ao toque). Essa mucilagem auxilia o peixe na locomoção e protege contra a invasão de microorganismos.

Primeira observação importante: Se o muco é a proteção do peixe, então não devemos manipular muito os peixes de mão em mão, nem abraçar o peixe na camisa de tecido felpudo, para interferir o menos possível em sua camada protetora de muco. O ideal é que sejam utilizados tecidos à base de nylon umedecido ou passaguás revestidos de PVC maleável.

Se observarmos o corpo do peixe no sentido longitudinal, veremos na parte mediana o que chamamos de linha lateral. Trata-se de uma exposição de ramificações do 10º par de nervos cranianos ao meio, através de furos nas escamas (Ver figura 1 abaixo). Esta linha lateral possibilita o sentido de tato à distância, permitindo ao peixe captar as vibrações da água.

O sentido de olfato é desempenhado por células sensoriais quimiorreceptoras, através das quais os peixes conseguem detectar grande parte das informações do meio ambiente: alimento, parceiros, predadores, territórios, entre outros. As células sensoriais possuem uma terminação cheia de longos cílios que ficam imersos no muco secretado nas narinas.

Com o sentido de tato à distância o peixe percebe que há algo em um determinado local, e através do olfato ele checa se pode ser um alimento interessante ou não. Grande parte das vezes os peixes ainda dão uma abocanhada de teste no alimento, para depois engolir, desta vez utilizando o paladar para checar o que estão prestes a engolir.

Figura 1- Peixe com linha lateral representada e componentes da mesma. (Fonte: https://www.sobiologia.com.br/conteudos/FisiologiaAnimal/sentido4.php)

Dica: o peixe quase nunca vê o que ele come. Explora com vigor o olfato e o tato à distância. Por isso, se possível utilize iscas que possam liberar pouco à pouco partículas atrativas na água, obviamente com o cuidado de não cometer excessos que possam causar a contaminação progressiva da qualidade das águas.

O peixe é um vertebrado, de forma que seu corpo é sustentado por um esqueleto, cuja função é conservar a forma do peixe, sustentar os músculos e proteger os órgãos vitais internos.

No tronco encontram-se os órgãos internos dos peixes: estômago, intestino, fígado, vesícula biliar, bexiga natatória, rins, ovários ou testículos.

A bexiga natatória é que possibilita ao peixe se manter na profundidade desejada no corpo da água, sem maiores esforços. Quanto mais na superfície o peixe se posiciona, mais cheia estará sua bexiga natatória.

Regra importante: Nunca devemos posicionar os peixes de couro como os pintados e pirararas na vertical (ver foto 1 a seguir), pois poderá haver deslocamento dos órgãos internos (que pesam muito mais fora da densidade suave da água), causando hemorragia e possível morte do peixe.

Mais uma dica de preservação: Não carregar os peixes em pé e nem tirar fotos em pé, pois caso haja uma queda, somente o deslocamento dos órgãos internos pode matar o peixe. Muitos peixes morrem nos pesqueiros por motivo de queda.

A cauda é a parte posterior do corpo, proporcionando a locomoção, que se dá por movimentos ondulatórios laterais. A nadadeira caudal se constitui no principal órgão locomotor. As demais nadadeiras ímpares (anal e dorsal) têm função no equilíbrio do corpo e as pares (peitorais e ventrais) auxiliam no posicionamento dentro da coluna d’água.



Foto 1- Pintado carregado de forma errônea, podendo comprometer o peixe. Note que o peso dos órgãos internos esta perto da cabeça do peixe.

Figura 2- Ilustração com representação dos órgãos internos dos peixes.

Dica: Por isso é que o peixe pára quieto quando torcemos a sua nadadeira dorsal (ele perde a sensação de equilíbrio e orientação)... uma maneira fácil e segura para a manipulação!

Uma regra ainda contrariada por muitos: não prender o peixe pelo rabo, pois como a nadadeira caudal é o principal órgão locomotor, o peixe irá forçar a cauda e causar um atrito com a sua mão na hora da soltura, fazendo com que saiam o muco protetor e escamas. Se for inverno fatalmente será infestado por fungos.

Os peixes apresentam diferentes formas hidrodinâmicas, com adaptações particulares ao hábito de vida de cada espécie. Geralmente, espécies predadoras têm forma cilíndrica para vencerem mais rápido o atrito com a água e conseqüentemente serem mais velozes.



Por fim, não podemos esquecer que os peixes são animais de sangue frio (pecilotérmicos), ou seja, ajustam a sua temperatura corpórea de acordo com a temperatura do meio ambiente, que no caso é a água.

Este fator é muito importante para entendermos que os peixes comem muito menos no período frio, muitas vezes até cessando sua atividade.

Dica: Manipule os peixes com cuidado redobrado no frio. Utilize passaguás adequados, com malha máxima de 5 mm, para não quebrar as caudas. Evite mais ainda a remoção do muco nos períodos frios.

Os tambas são a espécie preferida do pescador esportivo. Têm grande longevidade, estimada em mais de 50 anos. Portanto, se for bem alimentado e bem manuseado, vai estar presente por um longo período no pesqueiro e certamente fará a alegria de inúmeros pescadores,estando presente em milhares de fotos.

Na prática, além do conhecimento básico das regras de manipulação dos peixes, é muito importante fazer valer o bom senso, servindo sempre de EXEMPLO a todos os outros pescadores que estiverem ao alcance da sua observação. Somente desta forma teremos peixes saudáveis e grande longevidade nos pesqueiros.

Ótimas pescarias!

Fábio Mori

CREA 509.608.744-4



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